Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Melhor treinar com quilagem moderada ou baixa para redução cronica da pressão arterial?

Clique aqui para baixar o artigo

O processo de envelhecimento pode conduzir a mudanças na rigidez arterial, o que contribuiu para um aumento na sobrecarga para o ventrículo esquerdo via uma elevação na Pressão Arterial Sistólica (PAS). De forma interessante, a prevalência de ocorrência deste cenário é maior em mulheres, o que pode explicar, pelo menos em parte, a taxa de mortalidade cardiovascular maior nesta população. 

Além disso, a sarcopenia relacionada a idade, também está associada com níveis maiores de PAS, o que suporta a noção de que um aumento na massa muscular esquelética e força muscular tem um papel benéfico na saúde cardiovascular, especialmente sobre a PAS. Diante disso, a introdução da prática do treinamento resistido com pesos parece ser interessante, pois de forma crônica leva a aumentos de força e hipertrofia muscular. De forma interessante, essas adaptações seguindo a prática de TRP conduz a diminuição maior em PAS em mulheres comparado a homens. No entanto, parece que não há um consenso em relação a intensidade (percentual de 1RM ou número de repetições máxima) que poderia produzir uma redução crônica maior na PAS em mulheres.

Portanto, o objetivo do estudo que compartilhamos (Ribeiro et al., 2020) foi analisar qual intensidade produzia de forma crônica maior redução da PAS, Pressão Arterial Diastólica (PAD) e Pressão Arterial Média (PAM).

Como foi realizado o estudo?

Foi selecionado 30 mulheres idosas (72,7 anos) que não tinham experiência no treinamento resistido com pesos. 

O estudo teve uma duração de 12 semanas, sendo que quatro semanas foram utilizadas para medidas e avaliações. Ou seja, antropometria, composição corporal (via DEXA), 1RM (supino, cadeira extensora e rosca scott), e medidas de pressão arterial de repouso (PAS, PAD e PAM) foram realizadas nas semana um e dois (pré intervenção) e nas semanas 11 e 12 (pós intervenção). Já o treinamento foi aplicado da terceira a décima semana, tendo a duração de oito semanas. 

Após as avaliações de linha de base (pré intervenção) as voluntárias foram divididas de forma randomizada em dois grupos:

- Treinamento Quilagem Baixa (TQB): aplicaram em cada uma das três séries uma quilagem que permitia a execução de 15 repetições máximas, ou seja, até a falha momentânea concêntrica;

- Treinamento Quilagem Moderada (TQM): aplicaram em cada uma das três séries uma quilagem que permitia a execução de 10 repetições máximas, ou seja, até a falha momentânea concêntrica.

Como foi o treino?

Ambos os grupos realizaram um programa de treino para o corpo todo. Ou seja, em todas as sessões, que foram realizadas as segundas, quartas e sextas, executou-se supino reto, leg press horizontal, remada sentada, cadeira extensora, rosca scott, mesa flexora, tríceps polia e panturrilha sentada. 

Todas as séries foram realizadas até a falha momentânea concêntrica, e aplicou-se intervalo entre 1-2 minutos e 2-3 minutos entre séries e exercícios.

E ai, quais os resultados?

1RM e composição corporal: ocorreu um aumento significativo para ambos os grupos no 1RM no supino (TQB= 10,1% vs TQM= 9,5%), cadeira extensora (TQB= 14,5% vs TQM = 15,4%), Rosca Scott (TQB= 13,2% vs TQM = 10,8%), massa livre de gordura (TQB = 1,9% vs TQM = 1,8%) e gordura corporal (TQB= -3,6% vs TQM = - 2,4%), sem nenhuma diferença significativa entre os grupos.

Volume de treino: o TQB apresentou um volume total maior para a primeira e última semana. Ambos os grupos aumentaram o volume, contudo a TQB mostrou um aumento maior em relação ao TQM (TQB= 46,1% vs TQM = 38,8%).


Pressão Arterial: ocorreu mudança significativa para ambos os grupos para PAS (TQB= -3,0 vs TQM = - 4,6%), PAM (TQB= - 1,9% vs TQM = - 3,1%), sem nenhuma diferença significativa entre os grupos. Já a PAD não teve alteração significativa. 



Ao analisar o tamanho do efeito observou-se que as diferenças foram triviais entre os grupos em todas as variáveis. 

O principal achado do estudo foi que, realizar TRP com quilagem baixa (15 repetições) ou moderada (10 repetições) reduz significativamente a PA de mulheres idosas. 

A redução na PA parece ser multifatorial. Entretanto, apesar de não ser totalmente entendida, isto tem sido especulado que a melhora na PA após o treinamento parece estar associado com um aumento na biodisponibilidade de oxido nítrico plasmático (Tomereli et al., 2017). Esta molécula sinalizadora multifuncional é responsável pela vasodilatação endotélio dependente, qual contribuiu para reduzir na rigidez arterial e assim PA.

As alterações similares entre as variáveis analisadas, segundo os pesquisadores, parece estar vinculada a pequena diferença entre as quilagens aplicadas de treino. Um outro fator que também pode ter influenciado é que todas as séries foram realizadas até a alha, o que produz uma intensidade de esforço similar entre os grupos em todo o treinamento. 

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, caso um dos objetivos do treino seja produzir um efeito crônico, particularmente sobre a PAS e PAM, treinar com 10RM ou 15RM por série executadas até a falha momentânea concêntrica, parece produzir o mesmo efeito hipotensivo crônico. Assim, seria interessante o personal trainer conseguir identificar com qual intensidade o cliente se sente mais confortável, ou seja tenha maior prazer em realizar o treinamento, pois isso poderá auxiliar na aderência ao treino. 

Além disso, parece que para mulheres idosas destreinadas nas primeiras oito semanas de treino, os ganhos de força muscular podem ser similares ao utilizar quilagens para 10RM ou 15RM. Diante disso, novamente testar e buscar identificar com qual forma de treino se adeque melhor parece ser uma boa estratégia para auxiliar na aderência ao treino. 

De um passo adiante em
sua carreira!
Grátis
Acesso Imediato


  Voltar para a página do Curso

Depoimentos dos alunos

Voltar ao topo