Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Comparação na atividade eletromiográfica no Puxador Frente e Barra Fixa

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É muito comum observarmos nas academias a realização dos exercícios de Puxada Alta Frontal (PAF) e Barra Fixa (BF). Considera-se que esses exercícios são intercambiáveis, em virtude da similaridade no padrão de movimento produzido para extremidade superior, uma vez que a posição do antebraço e largura da pegada sejam equivalentes ou similares. 

Entretanto, apesar disso, esses exercícios apresentam diferenças. Por exemplo, na PAF o indivíduo encontra-se sentado com os membros inferiores fixados, e a quilagem (resistência) é tracionada via barra a frente do rosto em direção ao peito ou tronco. Portanto, isto caracteriza-se como um exercício de cadeira cinética mista. Por outro lado na BF, a barra está fixa, e quando o indivíduo produz força seu corpo é tracionado em direção a barra, caracterizando um exercício de cadeia cinética fechada. 

Assim, apesar de classicamente os dois exercícios produzirem uma adução do ombro e flexão do cotovelo na fase concêntrica, e abdução do ombro e extensão do cotovelo na fase excêntrica, essa caracterização dos exercícios poderiam produzir atividade eletromiográfica diferente.

Portanto, neste estudo que compartilhamos (Dogma et al., 2013) o objetivo foi analisar a atividade eletromiográfica ao realizar a PAF e BF.

Como foi realizado o estudo?

Selecionou-se nove homens saudáveis (idade 26 anos) que tinham pelo menos 12 meses de experiência na prática do treinamento resistido com pesos. 

Protocolo Experimental:

Uma semana antes do protocolo experimental foi realizado uma sessão de familiarização. Durante esta sessão, a largura da pegada na barra foi definida para os voluntários. Para isso, foi tomada a medida entre C7 (sétima vertebra cervical) e a primeira articulação metacarpofalangeana, enquanto o cotovelo permaneceu estendido e ombro abduzido. O antebraço permaneceu em pronação. 

Para definir a quilagem para a PAF, foi realizado o seguinte teste: solicitou-se que os voluntários executassem o número máximo de repetições na BF. Uma vez com esse valor, realizava-se o teste de RM na PAF com o número de repetições obtidos na BF, para que a quilagem aplicada permitisse que o número de repetições possíveis fosse similar à da BF (exemplo: se o voluntário conseguisse realizar oito repetições máximas na BF, então aplicava-se um teste de 8RM no PAF). Em média, os voluntários conseguiram realizar 10 3 repetições n BF, e então o exercício puxador foi realizado com 10RM (79,5 11,6 kg). 

Como foi o experimento?

Foi realizado em cada exercício cinco repetições de forma randomizada para limitar o efeito da ordem dos testes. Entre cada exercício foi aplicado cinco minutos de intervalo. 

Durante a realização foi monitorado a atividade eletromiográfica do peitoral maior (fibras esternais), latíssimo do dorso (lateral a escapula), cabeça longa do bíceps braquial, e cabeça longa do tríceps braquial, reto abdominal (2 cm lateral ao umbigo) e eretores da expunha (2 cm lateral ao processo espinhoso de L5-S1). 


Resultados.

Quando comparado entre os exercícios BF e PFA, a BF produziu maior atividade para bíceps e eretores da espinha durante a fase concêntrica. No entanto, o PFA produziu atividade eletromiográfica do reto abdominal maior na fase excêntrica.


Quando comparado entre grupos musculares durante a fase concêntrica, bíceps, latíssimo, e eretores da espinha foram maior que peitoral durante a fase concêntrica. Já bíceps e latíssimo maior que tríceps na BF.

Contudo, o bíceps teve maior atividade do que tríceps e eretores, e ainda o latíssimo maior que peitoral, tríceps e eretores para o PFA durante a fase concêntrica.

Durante a fase excêntrica o bíceps, eretor e latíssimo foram mais ativos que peitoral. Já o latíssimo foi mais ativo do que tríceps e reto abdominal para BF, enquanto o latíssimo foi maior do que peitoral, tríceps e bíceps para PFA. 


Por que ocorreram esses resultados?

O estudo demonstrou atividade eletromiográfica maior para bíceps braquial e eretores da espinha durante a BF em relação a PFA. Esse cenário, segundo os pesquisadores, parece estar vinculado para a BF criar uma condição de instabilidade maior em comparação a PFA, que é uma condição mais estável. 

Por exemplo, o bíceps braquial pode ter produzido maior atividade eletromiográfica em virtude da necessidade também de produzir maior estabilização da articulação glenoumeral, tendo em vista que também cruza esta articulação. Além obviamente de ser o motor para produção da flexão do cotovelo. Portanto, em virtude destes dois fatores, particularmente a maior necessidade de atividade para estabilizar a articulação glenoumeral, a atividade eletromiográfica foi maior. 

A maior atividade do reto abdominal na fase excêntrica do PFA, possivelmente ocorreu em virtude da necessidade de contração para evitar a extensão e hiperextensão produzida pela resistência nesta fase do movimento. Assim, como o reto abdominal é um flexor da coluna vertebral, contrai para evitar essa tendência. 

Já a maior atividade dos eretores da espinha ao realizar a BF, parece ocorrer em virtude da necessidade de manter a coluna vertebral mais rígida, pois ocorre maior oscilação neste exercício. 

Já a magnitude da atividade eletromiográfica similar produzida para latíssimo do dorso entre os dois exercícios, parece estar vinculada a semelhança no padrão de movimento produzido. Além disso, a similaridade no nível de esforço também pode ter contribuído.

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, caso se consiga equalizar o nível de esforço, como apresentado acima no estudo, o exercício de BF e PFA parecem produzir uma atividade eletromiográfica similar para o latíssimo do dorso, que é músculo alvo destes exercícios.

Já se o objetivo seja prescrever o exercício de BF ao, talvez seja interessante o personal trainer realizar um trabalho prévio de fortalecimento dos eretores da espinha, tendo em vista a maior solicitação neste exercício.

Já se na sessão de treino de costas também tenha exercícios específicos para reto abdominal, caso o objetivo maior seja um treino mais intenso e volumoso para costas, talvez realizar o exercícios abdominais no final da sessão seria interessante. Pois como observado no estudo ocorre uma grande solicitação de reto abdominal no PFA. 

Uma outro aplicação, é para que para clientes que realizam esportes como escalada por exemplo a opção pela BF parece ser mais interessante, em virtude da maior necessidade de estabilização do corpo, quando estão pendurados pelas mãos. Sendo este movimento bem semelhante ao início ou final da fase concêntrica e excêntrica, respectivamente. 

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