Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Abertura da pegada e atividade Eletromiográfica - Tem mudança?

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É muito comuns nas academias de ginastica os profissionais de educação física orientarem os clientes a realizar uma pegada mais aberta no puxador frontal para aumentar o trabalho do latíssimo do dorso. Já outros orientam o cliente a realizar uma pegada mais fechada, ou seja, da largura dos ombros para trabalhar esse músculo alvo. Mas e aí, qual “pega” mais latíssimo do dorso?

Neste estudo que compartilhamos (Andersen et al., 2018) os pesquisadores tiveram como objetivo analisar a atividade muscular do latíssimo do dorso, bíceps braquial, trapézio e infraespinhal durante a execução da puxada com um afastamento das mãos da largura dos ombros, média e grande em relação a largura dos ombros. Ainda, se buscou analisar em qual pegada (largura de afastamento) se poderia produzir mais força.

Como foi realizado o estudo?

Foram selecionados 15 voluntários jovens (24 anos) que tinham experiência no TRP (6 anos). Incialmente, foi mensurada a distância biacromial de cada voluntário. Em seguida, realizou-se o teste de 6RM no puxador com pegada larga (caracterizado por duas vezes a distância biacromial), puxador com pegada média (caracterizado como 1.5 vezes a distância biacromial) e puxador pegada da largura dos ombros (caracterizado como 1 vez a distância biacromial).


Uma semana após os testes de base, foi realizado o experimento. Nele os voluntários foram submetidos a execução de uma série de 6RM até a falha nos três exercícios mencionados acima. Entre cada variação foi aplicado entre 3 a 5 minutos de intervalo. 

A fase concêntrica foi realizada partindo de uma extensão total de cotovelo até a barra ultrapassar o queixo. Já a excêntrica foi realizada até a extensão total de cotovelos. Não foi permitido a extensão cervical com o intuito de aumentar a altura do queixo e com isso reduzir a amplitude da fase concêntrica. 


Durante as execuções foi realizado a captação do sinal eletromiográfico do latíssimo do dorso, trapézio, infraespinhal e bíceps braquial durante a fase concêntrica e excêntrica.

E ai, quais foram os resultados?

Comparando o movimento todo (fases concêntrica e excêntrica) revelou atividade eletromiográfica similar de todos os músculos para as três pegadas. Ainda, uma tendência foi observada para atividade eletromiográfica maior do bíceps braquial no puxador com a pegada média comparado a da largura dos ombros (61 % vs 56%).


Já na fase concêntrica, atividade eletromiográfica do bíceps foi maior usando a pegada média (1.5x a distância biacromial) comparado a da largura dos ombros (87% vs 81%). 


Na fase excêntrica, o latíssimo do dorso e infraespinhal tiveram maior atividade eletromiografica usando pegada larga (2 x a distância biacromial) comparado com a da largura dos ombros (57 vs 54% e 91 vs 89%, respectivamente). Havia uma tendência para maior ativação eletromiografica do bíceps braquial usando pegada média comparado com a larga (31 vs 28%). Além disso, o latíssimo do dorso teve uma tendência para maior atividade eletromiográfica usando a pegada média comparado da largura dos ombros (58 vs 54%).


Ainda a carga de 6RM usando a pegada larga foi aproximadamente 4% menor do que média (77.3 vs 80.3 kg) e aproximadamente 4% menor do que a fechada (77.3 vs 80.0kg). Por fim, houve um alcance de carga similar entre fechada e média. 

Ta e daí? O que eu faço com isso

Diante desta ativação eletromiografica similar dos músculos analisados nas três formas de execução, o profissional de educação física poderá selecionar a forma ao qual o cliente se sente mais à vontade para executar. 

Porém, um ponto importante a se raciocinar é que o latíssimo do dorso teve atividade eletromiográfica maior na fase excêntrica quando realizou um afastamento maior do que a largura dos ombros. Portanto, como neste exercício o objetivo principal é trabalhar o latíssimo e a fase excêntrica é um momento importante do exercício, talvez seria interessante o personal orientar um afastamento no mínimo de 1,5x a distância biacromial. Além disso, orientar a um afastamento de 2x a distância biacromial, que foi classificada como pegada larga neste estudo, pode ser interessante pelo menor envolvimento de bíceps braquial. Desta forma, uma lógica interessante para identificar se o cliente está com um afastamento de 2x a distância biacromial, é observar se no momento que o braço esta paralelo ao solo se forma um ângulo de 90° entre braço e antebraço. 

Por outro lado, se o objetivo na execução da puxada seja também oferecer um trabalho maior para bíceps braquial, talvez a prescrição deste exercício com um afastamento de 1.5 x a distância biacromial poderia ser interessante.

Por fim, se caso objetivo do treino seja produzir uma maior mobilização de quilagem na puxada independente do padrão de atividade eletromiográfica, talvez a prescrição do puxador com pegada média (1.5 x) e da largura dos ombros sejam interessante. Um ponto importante a salientar, é que a menor capacidade de produção de força no puxador com pegada aberta provavelmente ocorreu em virtude do maior braço de alavanca produzido para a articulação do ombro, qual aumentou o torque, e assim causou uma redução na quilagem/força/peso mobilizado. 

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