Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Variações no Levantamento Terra e Atividade Eletromiográfica

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Um dos exercícios mais executados nas academias é o Deadlif ou levantamento terra. Em sua grande maioria este exercício (levantamento terra) é realizado com o objetivo de ganhos de força e hipertrofia dos extensores do joelho e quadril. 

Entretanto, é possível observar uma variedade de técnicas de execução. Ou seja, temos o levantamento terra tradicional, sumo, com a barra hexagonal, Romanian Deadlif entre outros. Possivelmente, ao realizar essas variações a atividade eletromiográfica poderá ser diferente.

Portanto, é de suma importância que o profissional tenha o conhecimento da ativação eletromiográfica gerada ao realizar variações no levantamento terra. Assim, este estudo que compartilhamos (Martı´n-Fuentes et al., 2020) teve como objetivo realizar uma revisão sistemática sobre a ativação eletromiográfica no levantamento terra e suas variações.

Como foi realizado o estudo?

Foi realizado uma busca nas bases de dados PubMed, OVID, Scopus e Web of Science de março até abril de 2019. Esta revisão incluiu estudos publicados a partir do primeiro até março de 2019. 

Para ser incluído na revisão, os estudos deveriam apresentar os seguintes critérios:

- desenho de estudo cross-sectional ou longitudinal (experimental ou de corte);

- avaliação da ativação neuromuscular durante o levantamento terra e suas variações;

- incluindo participantes treinados e saudáveis, com nenhuma lesão nos últimos seis meses antes das medidas;

- Analise utilizando eletromiografia de superfície.

E ai, quais os resultados?

Foram incluídos 19 estudos que foram publicados entre 2002 e 2019. 

Maioria dos estudos analisaram o Levantamento terra tradicional (10/19), levantamento terra Stiff (6/19), seguido por Levantamento terra Stiff unilateral (2/19), Romanian Deadlif (2-19) e Levantamento terra com Barra Hexagonal (2/19). 

Atividade Eletromiográfica:

O bíceps femoral foi o músculo mais investigado no Deadlif e suas variações (13/19). Glúteo máximo também foi amplamente avaliado (10/19), seguido pelo vasto lateral e eretor da espinha (9/19). O semitendinoso e reto femoral foram os próximos (5/19) seguido pelo vasto medial, obliquo externo e gastrocnêmio medial (3/19). 

Estudos onde a atividade eletromiográfica foi expressa em média e pico do % da CIVM: Eretor da espinha teve maior atividade durante o Stiff Deadlif, e também mostrou uma atividade similar do glúteo máximo e bíceps femoral durante o Levantamento terra tradicional e com barra hexagonal. Exceto para o Levantamento terra tradicional o glúteo máximo mostrou uma atividade maior do que o bíceps femoral. Quando comparado a atividade muscular dentro dos isquiotibiais, havia uma atividade eletromiográfica maior para semitendinoso do que para bíceps femoral durante o stiff Deadlif, qual é até mais pronunciado quando realizado o stiff Deadlif unilateral. 

Estudos onde a atividade eletromiográfica foi expressa pelo percentual pico da RMS: O eretor da espinha e multifidios mostraram atividade eletromiográfica maior do que o glúteo e bíceps femoral. 

Estudos onde a atividade eletromiográfica foi expressa com RMS e mV (microvolts): eretor da espinha e semitendinoso são mais ativos no Levantamento terra tradicional. Quando comparado a atividade eletromiográfica dentro dos isquiotibiais se observou maior para semitendinoso comparado ao bíceps femoral. 

Estudos onde a atividade eletromiográfica em mV expresso como o percentual de sEMG (mV) durante esforço de 1RM: O eretor da espinha apresentou atividade eletromiográfica maior do que o glúteo e bíceps femoral. O vasto lateral e medial mostraram atividade eletromiográfica maior para o bíceps femoral e glúteo durante o deadlif e variações. A fase concêntrica apresentou atividade eletromiográfica maior no bíceps femoral, vasto lateral e eretor da espinha do que a fase excêntrica durante o Levantamento terra tradicional assim como durante o Levantamento terra com barra hexagonal. 

Em resumo, esta revisão demonstrou que o bíceps femoral foi o músculo mais avaliado para todas as variações do levantamento terra, seguido imediatamente pelo glúteo máximo. Eretores da espinha apresentaram uma atividade eletromiográfica maior do que o glúteo máximo e bíceps femoral para todos os exercícios. 

Outro importante achado foi que os músculo do grupo quadríceps apresentaram atividade eletromiográfica maior do que o glúteo máximo e isquiotibiais para o levantamento terra tradicional. Além disso, o semitendinoso tendeu a exibir uma atividade eletromiográfica maior do que o bíceps femoral dentro do complexo isquiotibiais. 

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Se o objetivo do exercício é produzir um atividade eletromiográfica maior para isquiotibiais, seria interessante realizar o levantamento terra com a articulação do joelho em uma posição fixa, ou seja somente permitindo movimento na articulação do quadril. Esta estratégia permite evitar a ocorrência do paradoxo de lombard e, com isso produzir maior alongamento e encurtamento das fibras dos músculos posteriores. Para isso, aplicação das variações Romanian Deadlift ou Straight Leg Deadlift é interessante.

Por outro lado, se o objetivo é produzir uma atividade eletromiográfica maior para quadríceps e eretores da espinha, o levantamento terra tradicional pode ser uma estratégia interessante, pois os braços de momento da alavanca produzidos nesta variação para joelho e coluna lombar são significativos. Porém, pensando em coluna lombar e trabalho dos eretores o Romanian Deadlift ou Straight Leg Deadlift também são interessantes.

No entanto, caso o objetivo seja produzir uma atividade eletromiográfica maior para quadríceps, mas não seja o objetivo produzir uma carga tão intensa para região lombar da coluna vertebral, pois esse cliente tem alguma patologia ou está voltando de alguma lesão, a prescrição do levantamento terra com barra hexagonal pode ser interessante. Pois com esta variação o braço de momento da alavanca para coluna vertebral é menor, consequentemente o torque resistivo, muscular e carga como um todo para a coluna vertebral também. 

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