Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Front vs Back Squat com 1RM - Tem diferença na ativação muscular?

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Um dos exercícios mais executados dentro das salas de treinamento resistido com pesos é o agachamento. Entretanto, é possível observar na literatura cientifica e também na prática diferentes formas de execução deste exercício. Porém, as duas formas mais executadas dentro das salas de TRP que envolvem a utilização de barras é o Agachamento com barra sobre o trapézio, que é denominado de agachamento clássico ou Back Squat (BS), e o Front Squat (FS), ou seja onde a barra é posicionada a frente do pescoço sobre próximo as clavículas. 

Em um dos nossos posts apresentamos o estudo de Gullet et al., (2009) que não identificou diferença na ativação muscular entre o Back Squat e o Front Squat. No entanto, alguns pesquisadores (Clark, Lambert e Hunter, 2012) mencionaram que esta falta de diferença na ativação muscular poderia estar vinculada a quilagem utilizada. Assim, especula-se que com uma quilagem maior, ou até mesmo máxima (1RM) a ativação muscular poderia modificar-se principalmente em virtude de uma maior inclinação do tronco a frente no Back Squat. 

Portanto, neste estudo que compartilhamos (Yavuz et al., 2015) os pesquisadores tiveram como objetivo analisar a ativação muscular durante a execução do Back Squat (BS) e o Front Squat (FS) com uma quilagem máxima.

Como foi realizado o estudo?

Foram selecionados 12 voluntários que tinham experiência na execução do BS e FS. Após, os testes de linha de base (avaliação pré experimento) os voluntários foram submetidos ao protocolo experimental. 


Na sessão experimental, os voluntários executaram ambas as variações de agachamento com uma quilagem que representava o 1RM deles. Assim, durante a execução foi realizado o monitoramento eletromiográfico do vasto lateral, vasto medial, reto femoral, semitendinoso, bíceps femoral, glúteo máximo e eretor da espinha. 


A fase excêntrica do movimento foi realizada até o ponto onde o seguimento coxa foi paralelo ao solo, o que representa em torno de 90° de flexão do joelho. Já a fase concêntrica até a extensão total dos joelhos (180° de extensão). 

E ai, quais os resultados?

A quilagem de 1RM alcançada foi significativamente maior para BS (109.17kg) em comparação ao FS (85.00 kg). 

Observou-se que a ativação eletromiográfica do vasto medial foi significativamente maior durante a fase ascendente no FS. No entanto, a ativação do semitendinoso foi significativamente maior para o BS também nesta fase. Já para a fase descendente (excêntrica) não ocorreu diferença significativa entre as variações. 

Um ponto interessante para frisar, é que apesar de se ter identificado diferença estatisticamente significativa apenas na vasto medial, ocorreu tendência a maior ativação do reto femoral e vasto lateral para o FS. Este cenário, poderá estar vinculado a posição do tronco mais verticalizada em relação ao BS, o que repercute em um maior braço de momento da alavanca para o joelho. Consequentemente, maior exigência muscular dos extensores. 


Ao analisar o movimento articular, observou-se que o ângulo mínimo do quadril foi significativamente maior durante o FS. Durante a análise da fase concêntrica (ascendente) notou-se que o ângulo do joelho não teve diferença ao longo da amplitude. Porém, o ângulo do quadril foi menor em oito das 10 fases de análise no BS, o que mostra uma maior inclinação do tronco a frente. 


Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, caso o personal trainer venha a aplicar um treino com maior quilagem, por exemplo próximo a 1RM nessas variações de agachamento, pode-se esperar um maior estresse sobre o semitendinoso no AC em virtude da maior inclinação do tronco a frente, o que produzirá um maior braço de momento da alavanca para o quadril. 

Por outro lado, em treinos de força máxima, onde se trabalha com quilagens de 1RM ou próximos caso objetivo seja produzir um estresse maior sobre os extensores do joelho, talvez selecionar o FS seja uma estratégia interessante. Além disso, com este variação a quilagem imposta será menor, produzindo assim, um menor compressão sobre a articulação do joelho (Gullett et al., 2009) o que pode ser benéfico ao longo do tempo. 

Ainda, como no BS se poderá mobilizar uma quilagem maior e consequentemente podendo levar a uma maior inclinação do tronco, estudos tem apresentado que este cenário leva a uma redução na tolerância de carga compressivo, resultando na transferência da carga sobre o músculos para os tecidos passivos, o que poderá aumentar o risco de ocorrência de hérnia de disco (Matsumoto et al., 2001). Diante disso, se o cliente ao executar o BS realiza uma inclinação do tronco muito grande talvez seja mais pertinente aplicar o FS. 

Entretanto, se mesmo mobilizando uma quilagem maior no BS o cliente consegue realizar com uma pequena inclinação do tronco (flexão do quadril em cadeia cinética fechada), acreditamos que o risco de alguma lesão na coluna vertebral tem uma redução. 

Um ponto importante a salientar, é em relação a sustentação da quilagem no FS. Ou seja, ao mobilizar quilagens maiores, como por exemplo em um treino de força ou força máxima (quilagem bem próximas ou em alguns momentos de 1RM), alguns clientes poderão apresentar dificuldade em sustentar a barra sobre o deltoide anterior, pois na maioria das vezes em relação ao trapézio se tem menor massa muscular. Assim, se caso isso venha a ocorrer, uma estratégia seria a utilização de colchonete, ou até mesmo em um primeiro momento executar o FS no Smith Machine, para se ter maior segurança. 

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