Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Posição da barra e sinal mioelétrico

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O exercício de agachamento é amplamente executado nas academias tanto por praticantes recreacionais como também por atletas, quando se tem como objetivo treinar extensores do joelho (quadríceps) e do quadril (particularmente glúteo máximo).

Entretanto, particularmente em atletas de powerlifting, que buscam em sua competições levantar a maior quilagem possível, observa-se duas técnicas de posicionamento da barra. Ou seja, uma é caracterizada por posicionar a barra um pouco abaixo a sétima vértebra cervical e, é denominada de Agachamento Com Barra Alta (ABA). Já a outra técnica, é caracterizada por posicionar a barra mais abaixo ao longo da espinha da escapula sobre o músculo deltoide posterior, sendo essa técnica denominada de Agachamento com Barra Baixa (ABB).

Levanta-se a hipótese que realizar o ABA proporciona uma execução com o tronco mais ereto, o que leva a um maior braço de alavanca da resistência para joelho, consequentemente levando a maior trabalho do quadríceps (Glassbrook et al., 2017). Por outro lado, a execução ABB, proporciona uma execução com maior projeção do tronco a frente (flexão do quadril em cadeia cinética fechada), o que leva a um maior braço de momento da alavanca para quadril e coluna vertebral, assim proporcionando maior ativação por exemplo de glúteo máximo e eretores da coluna (Glassbrook et al., 2017).

Portanto, este estudo que compartilhamos agora (Murawa et al., 2020) teve como objetivo analisar o sinal mioelétrico dos extensores do joelho e quadril ao realizar o ABA e ABB.

Como foi realizado?

Foram selecionados 12 homens jovens (24,3 anos) e saudáveis que tinham experiência no TRP (média de 5 anos) e que realizavam o exercício de agachamento.

Os voluntários compareceram três vezes ao laboratório: 1) teste de 1RM no ABA; 2) teste de 1RM no ABB; 3) execução do ABA e ABB em 60, 65 e 70% de 1RM e coleta do sinal mioelétrico.

Qual foi a amplitude de movimento executada?

ABA: fase excêntrica partiu de extensão total do quadril e joelho e, foi realizada até 102,3 ± 6,5 ° e 141,5±4,2° para quadril e joelho, respectivamente. Já a fase concêntrica, a partir desses ângulos até extensão total;

ABB: fase excêntrica partiu de extensão total do quadril e joelho e, foi realizada até 105,7±6,3 ° e 136,5±5,2° para quadril e joelho, respectivamente. Já a fase concêntrica, a partir desses ângulos até extensão total.


Quantas repetições foram realizadas?

Em cada variação e percentual de 1RM foram executadas três repetições. Entre cada variação, do agachamento foi aplicado 30 minutos de intervalo. A ordem de execução foi ABA e ABB.

Quais músculos foram analisados?

Durante a execução das variações, foi realizado a coleta do sinal mioelétrico dos eretores da espinha, glúteo máximo, bíceps femoral cabeça longa, reto femoral, vasto lateral e medial. 

E ai, quais os resultados?

Cinemática: Observou-se amplitude de movimento significativamente maior no tornozelo e joelho para o ABA e, Tilt Anterior da pelve maior para ABB. Porém, não ocorreu diferença significativa entre os percentuais de 1RM;

Eletromiografia: notou-se sinal mioelétrico significativamente menor para ABA para os eretores, glúteo máximo, bíceps femoral em todos os percentuais de 1RM e fase concêntrica e excêntrica. Já para vasto lateral (60% e 65% de 1RM e fase excêntrica), e vasto medial (todos os %, e fase excêntrica) valores significativamente menores também para o ABA.

Por sua vez, para o reto femoral (todos os % e fase concêntrica e excêntrica), vasto lateral (65 e 70% de 1RM, fase concêntrica) e vasto medial (65% de 1RM, fase concêntrica) sinal mioelétrico maior para ABA. 

Fase excêntrica:



Fase concêntrica:



Os principais achados, demonstraram que o sinal mioelétrico durante a fase excêntrica para todos os músculos selecionados foram significativamente maiores durante o ABB (em 60 e 65% de 1RM). Durante 70% essas diferenças foram também significativas, exceto para o reto femoral e vasto lateral. Já durante a fase concêntrica, uma atividade significativamente maior foi observada para ABB para eretores, glúteo máximo e bíceps femoral para todos os % de 1RM. Por fim, durante a fase concêntrica para reto femoral, vasto lateral e medial a ativação foi significativamente maior para ABA. 

O QUE PODE TER LEVADO A ESSES RESULTADOS?

Esta maior ativação tanto na fase excêntrica como concêntrica para glúteo, bíceps femoral cabeça longa e eretores da espinha pode ter ocorrido em virtude da maior projeção do tronco a frente (flexão do quadril em cadeia cinética fechada) e com isso, a produção de braço de momento da resistência maior para quadril e coluna vertebral. 

Por sua vez, para a maior ativação para reto femoral, vasto lateral e medial na fase concêntrica para ABA, podem ter ocorrido em virtude do maior braço de alavanca da resistência produzido para o joelho.

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, se o objetivo seja produzir um trabalho mais intenso para glúteo máximo durante a execução do agachamento, talvez uma estratégia poderia ser posicionar a barra na altura do deltoide posterior. Além disso, como o estudo de Kubo et al., (2019) apresentou uma amplitude excêntrica maior poderá proporcionar maior hipertrofia deste grupo. Obviamente, não estamos falando que somente o agachamento é ou não suficiente para trabalhar glúteo máximo. Portanto, o volume de exercícios que envolvem glúteo máximo dependerá do objetivo do cliente. 

No entanto, é necessário entender que ao posicionar a barra na altura do deltoide, ocorrerá maior inclinação do tronco a frente, e com isso um aumento do braço de momento da alavanca, trabalho muscular para eretores da espinha e por fim maior carga na coluna vertebral. Diante disso, é necessário analisar com cuidado essa estratégia a ser adotado, certificando se o seu cliente conseguirá sustentar essa carga na coluna vertebral.

Por outro lado, se o objetivo ao realizar o agachamento seja, produzir um trabalho mais intenso sobre os extensores do joelho, que na maioria das vezes é o foco principal ao se realizar este exercício, a execução com a barra alta (sobre o trapézio) parece ser mais interessante em virtude de auxiliar em uma execução com o tronco mais ereto. Este cenário, produzirá um braço de alavanca da resistência maior para os joelhos, o que levará uma maior exigência dos extensores desta articulação. 

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