Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Sinal mioelétrico no Supino com barra reta e Cambered

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Falou em treino de peitoral o exercício de supino reto está incluído na rotina de treino. Entretanto, é possível observar diferentes formas de executa-lo, ou seja, em aparelhos horizontais e verticais, na barra livre, no Smith machine e também com dumbells ou halteres. 

No entanto, em algumas academias tem em seu material uma barra denominada de Cambered ou curvada. Ou seja, essa barra é caracterizada por um formato em U na sua região central. Assim, ao realizar o exercício de supino permite que se tenha uma amplitude de fase excêntrica mais acentuada em comparação a barra reta (Corey, 1991). 

Desta forma, parece que ao realizar o supino reto com essa barra é possível se proporcionar uma maior utilização de energia elástica, em virtude de uma maior estiramento dos componentes elásticos localizados nos músculos envolvidos. Assim, se teria maior auxilio do ciclo alongamento encurtamento durante a fase concêntrica (Turner e Jeffreys, 2010). Este cenário poderia levar a uma atividade mioelétrica dos músculos primários menores. 

Portanto, neste estudo que compartilhamos (Krzysztofik et al., 2020) o objetivo foi analisar a ativação mioelétrica do peitoral maior, deltoide anterior e tríceps cabeça lateral e longa ao realizar o supino com barra reta e barra Cambered com diferentes quilagens.

Como foi feito o estudo?

Foram selecionados 12 homens jovens (26.9 anos) que tinham uma experiência média de 3,3 anos no TRP. 

Quatro semanas antes do protocolo experimental, os voluntários foram submetidos a realizar uma sessão de familiarização com a execução do supino reto com barra Cambered. Após, os voluntários tiveram mais duas visitas ao laboratório, sendo a primeira para o teste de 1RM no supino reto com barra. Já na segunda visita, realizaram o protocolo experimental.

Protocolo experimental

- Supino Barra Reta (SBR): realizaram uma repetição há 50, 70 e 90% de 1RM;

- Supino Barra Campered (SBC): realizaram uma repetição há 50, 70 e 90% de 1RM.

A amplitude de movimento, consistiu da fase excêntrica até a barra tocar levemente o peitoral, e fase concêntrica até a extensão total dos cotovelos. A velocidade consistiu de fase excêntrica com 2s e concêntrica o mais rápido possível. A largura da pegada na barra foi igual a 150% da largura biacromial. 


Durante o protocolo experimental, foi realizado o monitoramento mioelétrico (sinal pico), durante a fase concêntrica e excêntrica, do peitoral maior (fibras esterno costais), deltoide anterior, tríceps cabeça lateral e longa. 



E ai, quais os resultados?

Amplitude de movimento: registrou-se uma amplitude significativamente maior pra SBC (490 mm) quando comparado ao SBR (380 mm). 

50% de 1RM: observou-se que o SBR produziu ativação significativamente maior para o peitoral maior. Porém, notou-se uma tendência a maior ativação do tríceps cabeça longa para o SBR. Por outro lado, uma tendência a maior ativação no deltoide anterior para SBC. 

70% de 1RM: Não notou-se diferença estatisticamente significativa entre as formas de execução do supino. Porém, para peitoral maior, tríceps cabeça lateral e longa o SRB apresentou tendência a valores maiores. No entanto, novamente para o deltoide anterior a tendência de maior ativação foi para o SBC;

90% de 1RM: Observou-se ativação significativamente maior para o peitoral maior, tríceps cabeça longa para o SRB. Já para o deltoide anterior, o SRC apresentou ativação significativamente maior.

 

Quando reunido todas as intensidades observou-se que o SBR produziu uma ativação mioelétrica significativamente maior para peitoral e tríceps cabeça longa, e uma tendência para cabeça lateral. Já o deltoide teve uma ativação significativamente maior para SBC. 

Na tabela abaixo, é possível observar uma ativação mioelétrica significativamente maior para o SBR há 90% de 1RM. 

O que pode ter levado a este resultado?

A menor ativação mioelétrica para o peitoral maior, tríceps cabeça longa e tendência para a cabeça lateral, podem ter ocorrido em virtude da amplitude de movimento maior na fase excêntrica do SBC, proporcionar um maior acúmulo de energia elástica. Assim, durante a fase concêntrica ocorreu maior liberação e auxilio da energia elástica para realizar a fase concêntrica, ou seja ocorrendo maior utilização do ciclo alongamento encurtamento nesta variação. Portanto, este cenário fisiológico parece ser a causa para um menor sinal mioelétrica destes músculos citados acima. 

Já a maior ativação mioelétrica observada no deltoide anterior para o SBC pode ter ocorrido, segundo os pesquisadores, em virtude da maior rotação interna do ombro causada pela maior amplitude de movimento na fase excêntrica. 

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, como o objetivo no exercício de supino é aplicar um estresse sobre o peitoral maior, a execução com a barra reta parece ser mais interessante. No entanto, para um cliente que vise hipertrofia muscular, e o personal trainer observe que se apresente um déficit de volume de deltoide anterior, além obviamente de realizar exercícios específicos para este músculo, talvez a inclusão no treino de peito do supino com barra Cambered, possa ser uma estratégia interessante.

Por outro lado, se o personal trainer esteja trabalhando com um cliente que pratica algum esporte que necessite uma forte adução partindo de uma ampla abdução do ombro, como por exemplo em um ataque no tênis, ou empurrar ou até mesmo realizar um soco em lutas, e o treino de TRP seja complementar e contenham exercícios multiarticulares, talvez a inclusão do SBC possa ser interessante. 

Um ponto importante que o personal trainer deverá analisar, é em relação a articulação glenoumeral do cliente se for incluir esta variação de supino. Ou seja, caso o cliente apresente alguma lesão, ou produza uma forte anteriorização da cabeça do úmero durante a execução, talvez a inclusão desta variação não seja a melhor estratégia.  

Por fim, um ponto importante a salientar é que neste estudo não foi analisado ganhos de hipertrofia. Portanto, se deve ter cuidado ao relacionar dados de sinal mioelétrica com hipertrofia. Porém, se pode hipotetizar que se ao longo do treinamento o personal trainer consiga selecionar exercícios que produzam maior estresse sobre um músculo alvo, e o cliente mantenha uma rotina adequada de alimentação, descanso entre outros fatores que influenciam na hipertrofia, e pode entender que este grupo ou músculo poderá ter maiores ganhos, quando comparado a aplicação de um exercício que produza menor estresse sobre este músculo. 

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