Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Quadril estendido aumenta o estresse sobre o reto femoral?

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Quando se tem como objetivo produzir um trabalho mais intenso sobre o reto femoral, a inclusão do exercício de cadeira extensora pode ser muito interessante (Escamilla et al., 200 e Narici et al., 1996). A principal justificativa para isto, parece estar relacionada a não ocorrência do paradoxo de lombard, ou seja, como o quadril não tem movimentação, o trabalho de flexão e extensão do joelho produzirá um alongamento e encurtamento, respectivamente mais intenso do reto femoral.

No entanto, se discuti muito nas academias qual a melhor forma de posicionar o encosto da cadeira extensora para produzir um trabalho mais intenso do reto femoral. Especula-se que ao posicionar o encosto mais para trás e, consequentemente com uma extensão maior ou flexão menor do quadril, o reto femoral estaria mais alongado no quadril, o que lhe proporcionaria maior capacidade para produção de torque no joelho. Ou seja, teria maior capacidade para contribuir na extensão do joelho. Com isso, o estresse produzido sobre esse músculo poderia ser maior. 

Portanto, neste estudo que compartilhamos (Vieira et al., 2020) o objetivo foi avaliar a espessura muscular do reto femoral e vasto lateral, torque, e índice de fadiga ao realizar a cadeira extensora com o quadril com 85° de flexão e extensão total. 

Como foi realizado o estudo?

Foram selecionados 12 homens jovens (25,5 anos) que tinham pelo menos um ano de experiência no TRP (média 5,5 anos). 

Os voluntários visitaram o laboratório em três ocasiões, com intervalos entre 72 a 196 horas. Assim durante a primeira visita foram realizados medidas antropométricas e procedimentos de familiarização. Já nas outras duas visitas, os protocolos experimentais foram realizados, sendo eles:

- Cadeira Extensora quadril há 85° de flexão (CE85°): realizaram cinco séries de 10 repetições somente concêntrica com esforço máximo, com 60 segundos de intervalo entre as séries;

- Cadeira Extensora quadril em 180° de extensão (CE180°): realizaram cinco séries de 10 repetições somente concêntrica com esforço máximo, com 60 segundos de intervalo entre as séries.

A amplitude de movimento foi de 90° de flexão até 5° de extensão de joelho. Durante a fase excêntrica foi solicitado para o voluntários relaxarem e permitirem a gravidade realizassem a flexão do joelho.


O que foi avaliado?

Um minuto antes e após o protocolo experimental foi realizado a medida da espessura via ultrassom do reto femoral e vasto lateral. Para o reto femoral as medidas foram realizadas em 30 % (proximal) e 50% (medial) em relação a espinha ilíaca antero superior e borda superior da patela. Já no vasto lateral, teve as medidas realizadas em 30% (proximal) e 50% (medial) em relação ao trocanter maior do fêmur e côndilo lateral. Além disso foi realizado medida de torque, work outpoud e índice de fadiga. 


E ai, quais os resultados?

Espessura muscular: a espessura da região medial do reto femoral aumentou significativamente em ambos os protocolos (CE85° = 16%; CE180°= 11%). Porém, não ocorreu alteração significativa, apenas tendência de aumento, em ambos os protocolos para a região proximal do reto femoral. Porém, ao analisar a tabela 1 abaixo, nota-se que a CE85° produziu um efeito moderado (0,47; 7,8%) quando comparado a CE180°que produziu um efeito pequeno (0,37; 6,9%). 

Para o vasto lateral, observou-se aumento significativo na região medial apenas para a CE85° (9,11%) quando comparado ao CE180° (0,6%). Já para a região proximal notou-se aumento para ambos os protocolos (CE85° = 7,95%; CE180°= 7,80%). 


O torque pico e o trabalho total foi maior para o CE85° (239,1 N.m; 9540.9 J) quando comparado ao CE180° (219,4 N.m; 8791.9 J). Em uma análise mais detalhada notou-se que o torque pico foi significativamente maior para o CE85° na primeira, terceira série, e o work output maior na terceira série. 

Ainda, foi observado uma diminuição progressiva no torque pico e trabalho total ao longo das séries em ambas variações, sem diferença significativa entre eles. Por fim, o índice de fadiga não teve diferença entre os protocolos (CE85/ = 70.2 % e CE180°= 68,2%). 


Portanto, em geral, o estudo demonstrou que a realização da extensão do joelho concêntrica em um dinamômetro induziu inchaço muscular maior no vasto lateral na variação com o quadril flexionado (85°) em relação a execução com extensão total (180°). Ainda o reto femoral não foi afetado pelas mudanças na posição do quadril. Além disso, a execução com o quadril flexionado proporcionou maior produção de torque pico e work output. 

Limitações do estudo:

- Os voluntários tinham vasta experiência na execução com quadril flexionado. Assim, a menor familiarização com a execução com o quadril estendido pode ter influenciado, apesar da sessão de familiarização;

- Foi utilizado um dinamômetro. Portanto, os resultados podem ser diferentes com um aparelho isoinercial com contração concêntricas e excêntricas.

Ta e dai? O que eu faço com isso?

Portanto, a estratégia de posicionar o encosto mais inclinado e consequentemente o quadril com um grau de extensão maior ou flexão menor durante a execução da cadeira extensora, visando um maior estresse sobre o reto femoral, parece não ser uma estratégia tão efetiva. 

Além disso, esta estratégia poderá reduzir capacidade de produção de torque, mobilização de quilagem, inchaço muscular e consequentemente o estresse muscular gerado. Com isso, como citado pelos pesquisadores, proporcionar menor volume total de treino, e inchaço muscular, poderá repercutir em menores estímulos para posterior ajustes neuromusculares (força e hipertrofia). 

Diante disso, uma estratégia interessante seria o personal trainer posicionar o encosto onde proporcione um grau menor que 90° de flexão do quadril. No entanto, ainda para definir qual o grau de inclinação do encosto para cada cliente, é preciso observar se no final da fase concêntrica não ocorre uma retroversão pélvica, pois os isquiotibiais estarão sendo alongados no quadril e joelho, podendo levar a uma insuficiência passiva. Assim, se o cliente entrar em retroversão, uma estratégia seria de forma aguda reduzir a inclinação para que os isquiotibiais tivessem um alívio de tensão passiva no quadril e evitar uma insuficiência passiva. No entanto, de forma crônica entendemos que seria interessante aplicar um trabalho de flexionamento para este grupo.  

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