Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Variações no puxador frente e ativação muscular

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O exercício de puxada no pulley alto é amplamente executado nos treinos para latíssimo do dorso, ou seja costas. Diante disso, pode-se verificar uma variedade de formas de execução, isto é com a barra sendo puxada a frente do rosto (puxador frente), atrás da cabeça (puxador costas), e com pegada pronada ou supinada (articulação radioulnar em pronação ou supinação). 

Na maioria das vezes executa-se o puxador frente, pois grande parte dos alunos/clientes não apresentam mobilidade suficiente para realizar rotação externa do ombro exigida para a execução correta da puxador costas. Além disso, alguns estudos apresentam que a ativação do músculo principal no exercício (latíssimo do dorso) é maior ao realizar o puxador frente em relação ao posterior.

Desta forma, neste estudo que compartilhamos agora (Lusk et al., 2010) o objetivo foi analisar a ativação muscular do latíssimo, trapézio medial e bíceps braquial ao realizar o puxador com pegada aberta ou fechada e, também com a articulação radioulnar em pronação ou supinação.

Como foi realizado o estudo?

Selecionou-se 12 voluntários jovens que tinham experiência (praticantes recreacionais) no TRP e também na execução do exercício de puxada no pulley alto. 

Na primeira sessão os voluntários realizaram medidas antropométricas como: estatura, peso, medida de distância biacromial e distância entre a quinta articulação metacarpofalangeana do mão esquerda e direta.

Como foi determinado a largura na pegada da barra?

Para determinar a pegada fechada realizou-se a medida entre o acrômio direito e esquerdo. Portanto, a largura da pegada fechada foi igual a distância biacrominal.

Já para a pegada aberta determinou da seguinte forma: o voluntário sentou em uma cadeira com os membros superiores ao longo do tronco. Em seguida, solicitou-se que realizasse uma supinação radio ulnar, mantendo o úmero ao longo do tronco. Assim, o pesquisador mediu a distância (através de uma fita métrica) da quinta articulação metacarpofalangeana da mão esquerda até a direita. Portanto, essa distância caracterizou a pegada aberta.

Como foi o protocolo experimental?

Após 48 horas os voluntários realizaram quatro condições no exercício puxador frente, sendo elas:

- Puxador Aberto Pronado (PAP): duas séries de cinco repetições há 70% de 1RM, com dois minutos de intervalo

- Puxador Aberto Supinado (PAS): duas séries de cinco repetições há 70% de 1RM, com dois minutos de intervalo

- Puxador Fechado Pronado (PFP): duas séries de cinco repetições há 70% de 1RM, com dois minutos de intervalo

- Puxador Fechado Supinado (PFS): duas séries de cinco repetições há 70% de 1RM, com dois minutos de intervalo

Durante a execução foi realizado o monitoramento eletromiográfico do latíssimo, trapézio medial e bíceps braquial.

E ai, quais os resultados?

Não ocorreu diferença significativa para o latíssimo entre pegada aberta ou fechada. Entretanto, ocorreu maior ativação do latíssimo com a pegada pronada. 


Por fim, não ocorreu diferença significativa entre as condições para bíceps braquial e trapézio medial. 


O que pode ter levado a esses resultados?

Segundo os pesquisadores essa maior ativação com a execução do PFP parece ter ocorrido em virtude de uma distância perpendicular maior entre a articulação do ombro e a barra ao realizar a pegada pronada. Este cenário leva a um maior braço de momento da alavanca para o ombro e consequentemente maior ativação do latíssimo do dorso. Este comportamento foi observado no exercício de barra fixa, assim como ocorre similaridade ao movimento do puxador frente, essa hipótese pode explicar esse resultado eletromiográfico.  

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, parece que para produzir um maior estresse sobre o músculo latíssimo do dorso no exercício de puxador, a pegada pronada (articulação radioulnar em pronação) poderia ser a melhor escolha. Já em relação a largura da pegada, a mesma parece não influenciar de maneira significativa o músculo alvo. Entretanto, a largura da pegada aberta neste estudo é ainda menor a habitual utilizada nas academias. Portanto, se deve ter um pouco de cuidado ao extrapolar esses resultados para execuções com afastamento dos braços maiores. 

No entanto, acreditamos ser interessante selecionar um afastamento das mãos que permite o aluno/cliente alcançar um ângulo de 90° na articulação do cotovelo quando o seguimento braço estiver paralelo ao solo. Um ponto importante, isso não é regra, apenas uma sugestão.

Por fim, a execução com a pegada supinada não parece aumentar o trabalho de bíceps braquial. E até mesmo como os pesquisadores citaram a ativação deste músculo foi de 45% do máximo, assim acreditamos que para um trabalho mais intenso para bíceps braquial, caso esse seja o objetivo, a inclusão de exercícios específicos é interessante.

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