Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Agachamento com rotação externa do quadril, altera ativação muscular?

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O agachamento com rotação externa do quadril é uma variação amplamente executada nas salas de treinamento resistido com pesos ou musculação. Ao realizar essa estratégia, a principal justificativa é para aumentar o trabalho sobre os músculos adutores do quadril. No entanto, realizar o agachamento com uma rotação externa do quadril, parece não produzir alteração na ativação dos vastos medial e lateral (Ninos et al., 1997).

Diante disso, neste estudo que compartilhamos (Pereira et al., 2010), o objetivo foi comparar a atividade mioelétrica do reto femoral e adutores do quadril ao realizar o agachamento com diferentes graus de rotação externa do quadril e também comparar a relação de ativação entre RF/A em cada posição.

Como foi realizado o estudo?

Foram selecionados 10 voluntários (cinco homens e cinco mulheres) jovens (21 anos) que praticavam regularmente o TRP e executavam o exercício de agachamento a pelo menos um ano. 

Inicialmente, foram submetidos a executar o teste de 10RM com o quadril em neutro e com um afastamento dos pés igual a largura do quadril. Após os voluntários foram submetidos a executar 10 repetições do agachamento em três posições:

- Quadril Neutro (0°): realizaram sem nenhuma rotação externa ou interna do quadril;

- Quadril Rotação externa 30° (30°): realizaram com rotação externa do quadril de 30° mantendo um afastamento dos pés igual à largura do quadril;

- Quadril Rotação externa 50° (50°): realizaram com rotação externa do quadril de 50° mantendo um afastamento dos pés igual à largura do quadril;

Os voluntários realizaram o agachamento até 90° de flexão dos joelhos. A amplitude foi dividida em três subfases: E1 e C1 representou de 0 a 30° de contração concêntrica e excêntrica; E2 e C2 representou 30 a 60° de contração concêntrica e excêntrica; E3 e C3 representou 60 a 90° de contração concêntrica e excêntrica. 

Durante a execução foi realizado a coleta do sinal eletromiográfico do reto femoral e adutor longo e grácil. 

E ai, quais os resultados?

Ocorreu ativação eletromiográfica maior para os adutores, ao realizar o agachamento com 30 e 50° de rotação externa do quadril na subfase E3 e C3 (60 a 90° de flexão dos joelhos). No entanto, entre 30 e 50° não ocorreu diferença estatisticamente significativa. Além disso, em todas as posições do quadril, a atividade em E3 foi maior do que em E1 e E2. Adicionalmente, a atividade em C3 foi maior do que em C1 e C2.


Já para o reto femoral não ocorreu diferença em relação a execução com rotação externa do quadril e neutra. No entanto, a maior ativação ocorreu entre E3 e C3 (60 a 90° de flexão do quadril). Porém, em todas as posições a atividade em E3 foi maior do que em E1 e E2. Além disso, a atividade em C3 foi maior do que em C1 e C2.


Relação reto femoral e adutor do quadril: esta relação variou significativamente entre posição do quadril em E1, E3 e C3. Em E1, ocorreu um aumento na atividade mioeletétrica a partir do 0° para 50°. No entanto, ocorreu uma diminuição estatística a partir de 0° para 50 em E3 e C3. Já para as outras amplitudes (E2, C1 e C2) de movimento nenhuma diferença estatisticamente significativa entre as posições do quadril foram observadas. 


O QUE PODE TER LEVADO A ESSES RESULTADOS?

A maior ativação eletromiográfica para adutores na amplitude de movimento maior parece estar vinculada a questões de eixo e ventre muscular. Ou seja, quando se produz uma flexão do quadril significativa, o ventre muscular de alguns adutores se posicionam posteriormente em relação ao eixo do quadril, assim criando um braço de momento, o que leva a esses músculos participarem da extensão do quadril. Além disso, os pesquisadores também vincularam essa maior ativação em relação a maior tendência para abdução do quadril (produzida pela resistência) na amplitude final da fase excêntrica. Com isso, os adutores, que são antagonistas a abdução, produzem maior tensão para evitar esta tendência. 

Portanto, estes fatores parecem justificar porque ocorreu maior ativação eletromiográfica nas amplitudes mais profundas. 

Já para o reto femoral a maior ativação em E3 e C3, parece estar vinculado ao maior braço de momento da alavanca produzido para o joelho, ao se alcançar uma amplitude excêntrica maior. 

TA E DAÍ? O QUE EU FAÇO COM ISSO?

Apesar de ocorrer um aumento na atividade eletromiográfica ao realizar a rotação externa do quadril, esta segundo os pesquisadores foi relativamente baixa, atingindo pouco mais de 20% da CIVM, o que pode não ser um estresse efetivo para melhora de força e hipertrofia. Diante disso, parece que somente executar o exercício de agachamento com rotação externa para produzir maior trabalho sobre os adutores não seja uma estratégia interessante para o aluno/cliente que quer maximizar ganhos de força e hipertrofia muscular. Assim, exercícios específicos para estre grupo é necessário. 

Ainda, parece que não há necessidade de realizar uma rotação externa maior do que 30° para aumentar o trabalho dos adutores do quadril. 

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