Grupo de Estudos para Personal Trainer - Ciência no TEF

João Moura
"Professor João Moura nasceu em Cruz Alta (RS) em 1971. Em 1992 ingressou na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) para seus estudos no Curso de Ed. Física."

       

Somente incluir o leg press 45° é suficiente?

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O processo de envelhecimento é associado com mudança no sistema neuromuscular, tal como diminuição na massa muscular e habilidade para produzir força. Estudos mostram que essa mudança está vinculada a causas neurais (redução no comando do SNC para o músculo) e muscular (redução no tamanho e número das fibras musculares, especialmente as o tipo II). 

Diante disso, se tem recomendado a pratica do treinamento resistido com pesos, para amenizar o efeito deletério. Além disso, se tem demonstrado que o profissional deve ter atenção no treinamento para membros inferiores. Portanto, como a maioria dos alunos/clientes idosos treinam entre duas a três vezes por semana, em um estilo de treino Full Body, é muito comum a inclusão somente de um exercício por grupo muscular. Assim, para membros inferiores é muito comum a inclusão somente do leg press. 

Entretanto, um ponto que se deve ter atenção é em relação a relação de força entre isquiotibiais e quadríceps, pois este fator está vinculado a geração de instabilidade no joelho. Assim, uma relação baixa poderá levar a uma redução na capacidade dos posteriores de coxa em frear a ação do quadríceps durante uma ação concêntrica, com isso, aumentando a translação anterior da tíbia ou cisalhamento. Este cenário, parece levar a uma sobrecarga excessiva sobre o ligamento cruzado anterior. 

Desta forma, esse estudo que compartilhamos teve como objetivo analisar se 12 semanas de treinamento de força utilizando somente o leg pres para membros inferiores, poderia afetar a relação funcional e convencional entre isquiotibiais/quadríceps em idosos.

Como foi feito o estudo?

Foram selecionados 12 voluntários idosos (64,3 anos) saudáveis (sem doença crônica) que não praticavam TRP. O protocolo experimental teve a duração de 17 semanas, sendo uma semana de familiarização (cinco semanas antes do início), um período controle de quatro semanas (quatro semanas antes do início do treinamento), seguido por 12 semanas de treinamento supervisionado.

O treinamento aplicado, foi realizado duas vezes na semana com intervalo entre as sessões de no mínimo 48 horas. As sessões incluíram leg press 45°, puxador frente, remada sentada, abdutor quadril e extensor lombar. Foram realizados três séries de 10 repetições com uma quilagem auto selecionada nos exercícios. Porém, no leg pres a quilagem utilizada foi balizada pelo teste de 1RM. Um ponto importante a salientar, é que foi aplicada uma periodização não linear ao longo das 12 semanas (tabela abaixo).

Pre e após 4, 8 e 12 semanas de treinamento, o torque pico concêntrico e excêntrico do quadríceps e isquiotibiais foram mensurados através de teste isocinético no dinamômetro para avaliar a relação entre isquiotibiais/quadríceps. Foi realizado a medida da relação convencional (torque pico concêntrico do quadríceps e isquiotibiais) e relação funcional (torque pico concêntrico do quadríceps e excêntrico do isquiotibiais). 



E ai quais os resultados?

1RM: ocorreu um aumento significativo após 4, 8 e 12 semanas (21,8%, 34,1% e 40,9%, respectivamente) em relação ao pré. Além disso, ocorreu um aumento significativo após 8 e 12 em relação a 4 semana. 

Torque pico: ocorreu um aumento significativo no torque pico concêntrico do quadríceps após 8 e 12 emanas (14,9% e 20%, respectivamente) comparado ao pré. Não houve diferença significativa no torque pico concêntrico (18,5%) e excêntrico (-0,6%) dos isquiotibiais ao longo das 12 semanas. 

Relação isquiotibiais/quadríceps: não houve diferença significativa ao longo das 12 semanas na relação convencional comparado ao pré (-7,8%), apesar da tendência a redução. No entanto, observou-se uma redução significativa na relação funcional após 8 e 12 semanas (-13,6 e -15,9%) quando comparado ao pré. 


O que pode ter levado a esses resultados?

Estes resultados, parecem ter ocorrido em virtude de um maior acionamento do quadríceps em relação ao isquiotibiais no leg press 45°, que fica por volta de 18% (Escamilla et al., 2000). Esta menor ativação dos isquiotibiais parece ocorrer em virtude do paradoxo de lombard. Ou seja, durante a fase concêntrica o isquiotibiais encurtam no quadril, para realizar a extensão do mesmo, porém alongam no joelho em virtude da extensão produzida pelo quadríceps. Já na faz excêntrica ocorre o comportamento inverso. Com isso, parece que os isquiotibiais não sofrem nem um encurtamento e alongamento significativo, ficando em uma posição praticamente isométrica. 

Ta e daí? O que eu faço com isso?

Portanto, prescrever somente o exercício de leg press 45° ou horizontal para idosos parece gerar uma redução da relação funcional entre isquiotibiais/quadríceps. Assim, este cenário poderia levar a um desbalanço na articulação do joelho, estresse de cisalhamento e possível lesão no ligamento cruzado anterior.

Além disso, caso este cenário venha a ocorrer (desbalanço na articulação do joelho) poderá levar a geração de uma osteoartrite (Sun et al., 2010). Estudos tem demonstrado que a osteroartitrte é uma das causas que afeta a funcionalidade e qualidade de vida de idosos. Ainda, uma redução na funcionalidade articular, leva a diminuição na prática de atividade ou exercício físico, podendo contribuir para um aumento na sarcopenia, dinapenia, risco de quedas, e podendo levar idosos a hospitalização.

Diante disso, é de suma importância que o personal trainer venha a introduzir na sessão de treino exercícios específicos para isquiotibiais. Além disso, um ponto importante é conseguir aplicar um volume de treino similar entre quadríceps e isquiotibiais. 

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